Bolhas Bloguistas

NÓS! Literalmente nós! Nós vamos bem com caviar, ao almoço e ao jantar. Estamos bem e a melhorar. Ninguém nos pode parar e Nós sempre a borbulhar. bolhas_bloguistas@yahoo.com.br Um espaço aberto a toda e qualquer futilidade...

domingo, novembro 19, 2006

Cântico Lindo (o poeta chamou-lhe Negro)

Bolhas, bolhas, bolhas, já vejo uma certa tristeza no olhar:
"Lá vem esta pseudo Bolha descaracterizar o nosso Blog".

A intenção não é essa e também não se trata de um momento cultural.

O poema é lindo. Dediquei-o (naturalmente com o consentimento do autor) a um amigo que faz anos hoje, mas
queria também partilhá-lo com vocês.

"Vem por aqui" – dizem-me alguns com olhos doces,
estendendo-me os braços,
e seguros de que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho os com olhos lassos,
(Há nos meus olhos ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
– Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Porque me repetis: "Vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?
Corre nas vossas veias sangue velho dos avós.
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
— Sei que não vou por aí!"
(José Régio)

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quinta-feira, novembro 09, 2006

PNB do dia

Não sei se reparam mas o nosso Blog anda com um je ne sais quoi de contido. Como dizia a Bolha Star há uns anos "está para lá de Bagdad"... Helas como praticamente não há Bagdad ficamos com uma lacuna no léxico Bolhal... Não me digam que não notaram que o Blog está com um principio de marasmo?! Nota-se a léguas... Somos tão transparentes como qualquer diamante de 530,2 kilates!

Perceberam a piadinha? Vou ser pedagógica porque estamos no campo da cultura geral... Só existe um diamante no mundo com 530,2 K que por acaso é o maior do mundo e chama-se Cullian! Este meu sangue de ourives/ joalheiro a correr-me nas veias azuis turquesa, não engana... Mas reparem que até há Bolhas que não querem postar! Será do Outono, a chegada do Grande Prémio, Love is in the Air???!!!

Para animar as hostes Bolhais resolvi transcrever dois pensamentos não bolha (PNB) mas que fazem pensar... Assim como assim pomos os piccolos, simpáticos e neuróticos neurónios a carburar. Ora vejam:

Se algum dia alguém lhe disser que seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se:"Amadores construíram a Arca de Noé, e profissionais, o Titanic."

Se algum dia quem você ama te trair, e você pensar em se jogar de um prédio, lembre-se: você tem chifres, não asas!

Até sempre!

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sexta-feira, novembro 03, 2006

Sexta de romantismo

Porque é sexta feira e ontem foi feriado, acordei muito bem disposta, romântica e feliz!!! Há Bubble mornings em que acordo assim, e mais não digo...
Como dizia Pessoa
"Quem ama nunca sabe o que ama,
Nem sabe porque ama,
Nem o que é amar.
Amar é a eterna inocência
E a única inocência é não pensar."

Acho que hoje à noite me vou dedicar a ver os dois filmes da Bridget Jones... Porque uma Bolha é sempre uma Bolha, há dois momentos com os quais vibro especialmente:

B.J. a atender o telefone
:
"Bridget Jones, wanton sex goddess, with a very bad man between her thighs... Dad... Hi."

O pedido de casamento desastroso do querido Mr. Darcy:
Mark Darcy: As a matter of fact, I have a question to ask you.
Bridget Jones: Okay. As long as it's not, "Will you marry me?"
[chuckles. Mark looks devastated]
Bridget Jones: Oh, God... It *is* "Will you marry me?"
Mark Darcy: Well, I'm not going to say it now.
Bridget Jones: No, no, no! Just wait! [runs back to the door]
Mark Darcy: The moment's gone, Bridget.
Bridget Jones: We've just come out into the corridor and you say, "I've got a question to ask you" and then I don't say *anything*! [pause]
Bridget Jones: and you say...
Mark Darcy: [pause] Bridget Jones, will you marry me?

Quem não tem um fraco pelo Mr. Darcy e por contos de fadas com finais felizes??? Digam lá se hoje não estou versatilmente uma Lauro António Bubble?!
Shishapangma de boa disposição para esta sexta feira!!!

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quarta-feira, outubro 25, 2006

Escrito por um Homem

Digam lá se não é mesmo assim:
"Ora a Mulher Portuguesa é tudo menos 'compreensiva'. Ou por outra: compreende, compreende perfeitamente, mas não aceita. Se perdoa, é porque começa a menosprezar, a perder as ilusões, e a paciência. Para ela, a reacção mais violenta, não é a raiva nem o ódio - é a indiferença. Se não se vinga, não é por ser 'boazinha' - é porque acha que já não vale a pena."
Miguel Esteves Cardoso
A Causa das Coisas, Lisboa, Assírio & Alvim, 1986, pp. 98-99.

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quarta-feira, outubro 11, 2006

Lisboa Menina e Moça

No início, ele disse, em jeito de provocação, que éramos um público de concerto. Querendo dizer com isto, penso, que aplaudíamos com educação, mas contidos, talvez porque (no início), a timidez nos impedisse de cantar alto as músicas que se alvoraçavam cá dentro.

Talvez achasse que não sentíamos a guitarra e que ouvíamos o fado como se nada nos afectasse.

Lá mais para o meio do espectáculo, a timidez deu lugar à emoção e cantou-se em Macau, no Teatro D. Pedro V, a alto e bom som, o Fado de Lisboa.

Senhor Carlos do Carmo, ao escrever estas linhas, ao som dos fados que ouço, escuto, decoro, aprendo e a que me entrego desde criança, ainda estou emocionada.

Falo por mim e talvez por todos aqueles que estavam no Teatro D. Pedro V: o Fado está-nos na alma!

Mas, tal como quando, ao som do despertador ou a pedido da mãe, acordamos de madrugada e só queremos fechar os olhos e adormecer novamente, o silêncio nasceu do torpor, do enlevo, do não querer acordar de um sonho a que chegámos com os acordes da guitarra, as letras belíssimas, e com a harmonia e poder da sua voz.

E depois (e sempre) Lisboa.

Amo aquela cidade.

"Lisboa Menina e Moça" é um martírio para quem está longe. Para quem não toma um café na Graça, para quem não desce de eléctrico dali até à Baixa e, de seguida, sobe até ao Camões para, de novo, descer e perder-se no Poço dos Negros, passar à Assembleia, subir à Estrela e, por fim, ficar-se pelos Prazeres.

Ele há coisas que esta terra de que tanto gosto não apaga: a saudade de algo que não é amigo, com a qual não se conversa, com quem nada se partilhou e que nos faz tanta falta – Lisboa.

Obrigada, a minha alma (de fadista, como gosto de acreditar) agradece.

Deixo-vos com Alexandre O'Neill

"Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de lisboa
No desenho que fizesse
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa
Esmorece e cai no mar

Que perfeito Coração,
no meu peito bateria
Meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração

Se um Português marinheiro
Dos sete mares andarilho
Fosse, quem sabe, o primeiro
A contar-me o que inventasse
Se um olhar de novo brilho
Ao meu olhar se enlaçasse

Que perfeito coração,
no meu peito bateria
Meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração

Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro
esse olhar que era só teu
Amor, que foste o primeiro

Que perfeito coração,
morreria no meu peito
Meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração
(Gaivota)

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quarta-feira, agosto 23, 2006

Momento poético II

POEMINHO DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mario Quintana

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terça-feira, agosto 22, 2006

"The you you love"


Bom dia queridas Bolhas e afins, olá champanhe,
Ultimamente isto tem estado um bocado parado... Hoje de manhã ao lavar os dentes pensava para os meus botões: o segredo para um bom relacionamento amoroso é muito amor, paixão e MUITO IMPORTANTE gostarmos da outra pessoa e essa gostar de nós como nós somos na realidade...
Claro que toda a gente se acaba por adaptar minimamente à cara metade mas nas coisas essenciais e de príncipio, a não ser que se trate de um/a super banana, não é de todo provável um/a piqueno/a moldar-se a esse extremo. Também não me parece possível fazer-se teatro a vida toda. Mentir descaradamente sobre as coisas que gosta, a maneira como gosta de ser, votar no CDS/PP (totalmente out), gostar de passar férias dentro de uma tenda na Costa da Caprica ou no Kilimanjaro (acreditem queridos leitores mesmo o sítio mais paradisiaco não comporta uma tenda de campismo) , ser contra os casacos de peles (balelas, se os visons têm pele porque não os haveriamos de usar?), contra as operações estéticas (fora as peles caidas) ou depilação (uns melhoramentos fazem milagres, please) etc, etc, etc, quando na realidade o que se é ou se gosta mesmo é exactamente o oposto...

Quando já estava na fase de esticar o cabelo com o secador (o calor era tanto que tive de pedir à Cidália para me abanar com o leque) lembrei-me "espere aí Morzinha, a menina não está inovar... Já ouviu isso em algum lado!!! Essa conclusão brilhante deve ser inspirada numa qualquer psicóloga inteligentérrima de renome". É que esta memória apesar de selectiva quase não falha... Não é que estava certa?! Ora vejam lá se eu não sou uma Carrie em potência mas alta e morena, tá claro?! Mais coisa menos coisa era mesmo isto que estava a pensar...

"Later that day I got to thinking about relationships. There are those that open you up to something new and exotic, those that are old and familiar, those that bring up lots of questions, those that bring you somewhere unexpected, those that bring you far from where you started, and those that bring you back. But the most exciting, challenging and significant relationship of all is the one you have with yourself. And if you find someone to love the you you love, well, that's just fabulous."

Carrie in Sex and the City

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quinta-feira, julho 13, 2006

O Fenómeno SPAC, Miguel Esteves Cardoso

Devo confessar que um dos meus escritores portugueses preferidos é o lúcido Miguel Esteves Cardoso. Adoro as suas crónicas antigas (Jonais Expresso e independente, Revista Kappa) pois são bem humoradas e divertidas...
Retrata tão bem os sentimentos e episódios da vida portuguesa que a maior parte das pessoas da Bubble Generation (todas de 70, ou quase...) se identificam com a sua escrita. Adorei todos "Os meus problemas", não gostei de "O amor é fodido" mas também não me foi indiferente, vibrei com "O elogio ao Amor" e tenho a sensação que o prefácio de "A Causa das Coisas" podia ter sido escrito para mim.
Dificilmente poderia esquecer os fenómenos SPAC e POC (pôr os cornos)... São de rir! Até porque, ao contrário do que a Verdadeira Bolha poderia supor, são escritos por um homem. Aqui fica o Fenómeno SPAC.

"A amizade, entre um homem e uma mulher é (o leitor que escolha) um bico de obra; uma coisa muito linda; ainda mais complicado que o amor; absolutamente impossível; amizade da parte da mulher e amizade da parte do homem; só possível se a mulher for forte e feia; impossível se o homem for minimamente atraente; receita certa para a desgraça; prelúdio certo para o romance; indescritível; inenarrável; o que deus quiser ; o diabo.
O leitor que não tenha escolhido todas as hipóteses não percebe nada disto. Quanto á leitora, o mais provável é ter ficado a pensar «só», já que as mulheres portuguesas, por dura experiência, percebem mais certas coisas que os homens. Em Portugal, a amizade entre pessoas de sexos opostos (ou sexualidades opostas) é sempre muito problemática, dada a chamada «cultura vigente». Esta cultura é denominada pelo conhecido Factor SPAC (que significa, em repreensível português, «Salto para a Cueca» estásempre presente. É a mulher que repara que o seu grande amigo está disposto a discutir todos os problemas deça com a maior paciência e compreensão, mas que começa a arroxar e a esverdear, a puxar o lustro á cadeira com o rabo, sempre que ela lhe revela estar muito feliz com um novo amor. Ou (pior ainda) com um velho. Se o amigalhaço suporta a miséria mais camiliana com uma sorriso, mas não aguenta a mínima menção de alegria, se ajuda muito nos dissabores e desamores mas empata ainda mais nos sabores e amores, levanta-se no espírito da mulher, legitimamente ou não, o factor SPAC. E ela interroga-se: «Se calhar este também me quer saltar para a Cueca, ou como eu preferiro para a Espinha?» E se calhar quer. Se isto é ou não um crime, é o que se vai ver.
O problema não é exclusivo das mulheres. Também os homens podem atribuir a certos comportamentos femininos uma medida do factor SPAC (sobretudo o tipo de homem que pensa em Cathrine Spaak, a esquecível actriz de cinema, antes de pensar em Paul-Henri Spaak, o memorável espírito impulsionador da CEE). O homem português tende a distinguir mais claramente entre Amigos e Amigas. Os amigos são para copos e conversas escandalosas de bola e de «boas». E são também, nos casos extremos, para Sempre. As amigas são para as chávenas de chá e conversas profundas sobre a natureza do Inverno, ou dos signos do Zodíaco. Isto sem falar nos típicos carameis para quem as «amigas» são todas as pessoas do sexo oposto com número de telefone, olhos bonitos e uma possibilidade mínima de 1% na tabela SPAC.
A amizade entre homens e mulheres pode chamar-se isenta de factor SPAC quando se fala livremente, como os amigos falam , de terceiros amores. Se uma rapariga se sente à vontade para chegar ao pé de uma rapaz e dizer «Ó pá! Sabes o que me aconteceu? Apaixonei-me! Não é porreiro?», se o rapaz acha que sim, que é bastante porreiro, então pode dizer-se que o factor SPAC está de ferias. Claro que haverá sempre alguns ligeiros ciúmes (afinal já não posso ir contigo á festa – vou com a Gisela ao concerto, desculpa lá»). Mas nada que ponha em perigo a amizade.
Uma das maneiras tradicionais de atenuar o factor SPAC é S mesmo PAC. «Pronto, agora que já estamos despachados neste departamento, - diz a mulher para o homem, atirando-lhe o maço de cigarros [está bem, pronto, de SGPack], - vamos lá a ver se ficamos amigos».Os ex-amantes, depois do grande holocausto, podem dar bons amigos (desde que não tenham amado de mais e dado cabo dos dois coraçõezinhos logo à partida). No cenário pós-SPAC (reza a teoria do Cácárácá conforme se expõe nos cafés do Porto e Lisboa), a curiosidade sexual é imediatamente saciada e a amizade pode florescer, desimpedida de ervas daninhas do desejo. E caso o salto seja em altura, homem e mulher, presumivelmente, decidem continuar, amantes. Esta teoria (do Machão-Latino, ou «M-L») não presta, porque supõe que o SPAC é uma coisa simples e toda a gente sabe que, na cama, fazer amor é uma coisa, fazer só por fazer é outra. Mas a teoria oposta (da Machona-Lusitana, «M-L»à mesma) também não serve. Imaginando que o factor SPAC nunca existe entre um homem e uma mulher que sejam verdadeiros amigos, caem no simplismo contrário. Tal como o homem pensa «Que chatice! Isto nunca mais passa da amizade para o que interessa!», a mulher pergunta «Será que ele é mesmo meu amigo ou estará só a fazer-se ao piso?» está a cometer o mesmo erro. É como perguntar acerca de um pastel de nata se é mesmo feito de farinha ou só de nata. Portugal não é só Lisboa, mas Lisboa também é Portugal (e não é pouco).
Se fosse como os M-L machos e fêmeas diziam, então os homens só podiam ter amigas, então os homens só podiam ter amigas muito feias (o que é limitativo) e as mulheres só podiam ter amigos muito desinteressados (o que seria muito desinteressante). A própria ideia de uma amizade «inocente» põe a hipótese de uma amizade «culpada». Ora ninguém pode ter culpa de ser amigo de outra pessoa. A verdade é outra. Como as mulheres são diferentes dos homens (por exemplo, os segundos sentem-se mais obrigados a tentar SPAC das primeiras do que as primeiras PAC dos segundos), é natural que essa diferença se fala sentir nas relações de amizade. Quando não existe a mínima atracção de parte a parte, tudo bem. Mas quando existe, também não é mau. Aliás, se houver uma gestão elegante dos vários frissons envolvidos, pode até ser melhor.
Vejamos. Em geral, as mulheres portuguesas gostam mais de ter amigos do que ter amigas. O problema é que os homens também. Isto leva a um desequilíbrio considerável na oferta e na procura de amizades. Posto de maneira brutal, não faltam mulheres dispostas a serem amigas de homens. Os homens é que faltam mais. E aproveitam-se disso.
Por outro lado, as mulheres, regra geral, tornam-se amigas dos homens pondo a raridade e o valor da amizade acima da maior vulgaridade do SPAC. Tanto mais que o homem português não põe facilmente a hipótese de uma mulher se tornar amiga dele para lhe SPAC. O raciocínio típico Homo Lusitanus é simples: «Oh se ela me quisesse SPAC escusava de estar com tanto trabalho!» Em Portugal é assim. O homem acha que, no que toca a SPAC, é ele quem tem de trabalhar.
E a mulher também conseguiu convencer o homem que é isso que ela acha também. Logo, o trabalho de amizade de uma mulher nunca é levado a mal pelo homem (é levado por outras mulheres; mas essa é outra história). Em contrapartida, o trabalho do homem é sempre posto em causa. E muito bem posto, aliás. Se ele propõe «talvez fosse melhor ficar por aqui não ouviste o boletim metrológico?», ela faz muito bem em pensar «Está bem, filho já vais ver a imagem do satélite…». MAS faz mal em duvidar da amizade dele sopor causa disso. A verdade é que o amigo talvez gostasse de lhe SPAC, não lhe cairia mal, não senhor, mas pronto, se não puder ser ninguém morre por causa disso, ficamos amigos á mesma. Seja por natureza, seja por formação, o homem tem sempre de manter presente a possibilidade de SPAC da mulher. Pode ser de maneira Roskoff (tentando abertamente) ou pode ser de maneira Rachmaninoff (pensando, pianinho, na eventualidade de ficara em só os dois numa ilha deserta depois de uma bomba atómica ter destruído toda a humanidade), mas lá ter de ser, tem.
Resumindo: para as mulheres, como amigas de homens, é «amizade, amizade, amores à parte», enquanto», enquanto para os homens é mais «amizade, amizade, e uns amores à parte, se puder ser, se faz favor, senão também não faz mal.» Na verdade, a amizade e o factor SPAC não são mutuamente exclusivos. Pode ser-se muítissimo amigo de alguém que se deseje muito, pouco, muito pouco ou nada. O factor SPAC tem o mesmo peso na amizade que o MAX Factor no amor. Nem mais."
Miguel Esteves Cardoso - “Os Meus Problemas”"

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quarta-feira, julho 12, 2006

Quanto mais se vende casto mais devasso!

Bom dia Bolha Mestra e queridos leitores deste espaço de profunda reflexão bolhal,

Estava eu aproveitar uns minutos do meu tempo livre numa ida à pedicure quando me ocorreu, por mera observação sobre o comum dos seres mortais, a seguinte constatação:

Quanto mais se vende casto mais devasso.

A fim de não ferir susceptibilidades chamo a atenção que esta observação não tem qualquer conotação com a religião. Dissociada de qualquer crença. Por outro lado não estou a querer dizer que haja mal em se ser casto... O mal reside em não ser casto mas querer parecê-lo!!!

Mas dizia eu que tenho reparado que os piquenos e piquenas que se esforçam em demasia apregoando aos 7 ventos como são puros, cândidos, inocentes, sem mácula e intactos, são geralmente as pessoas mais libertinas! Quando uma pessoa faz uma boa acção não deve apregoa-la... Pessoas com qualidades não precisam de as afirmar por isso qual a necessidade de se publicitar que se é casto? Só se for um falso casto... O mesmo e passa em relação a outras qualidades... Quem é generoso não se anda a gabar de todo do facto de ser generoso!

Não é raro ouvirmos dizer-se "ai não me diga que o Sam é sadomomasoquista, ninguêm diria, passava a vida na associação dos viúvos castos" ou "a Daniela num bordel? Devia estar com um bruxedo, era tão boa rapariga, até dava aulas de moral aos meus filhos no colégio puros de todo" e "encontratam a Tia Micalea numa orgia no abrigo dos desprotegidos com o merceieiro, o pastor, a imaculada perpétua e as ovelhas? Estavam de certeza drogados..."

Os falsos castos caracterizam-se pelos olhos de carneiro mal morto, quando sentados costumam entrelaçar as mãos como se estivesem a rezar, quando observam qualquer coisa que se desvie da normalidade reviraram os olhos ou têm espasmos de espanto, gostam de debater temas como o interesse familiar, o futuro da humanidade num mundo poluido, a juventude e a moral, os jovens e a sexulidade e condenam aquilo que consideram erradamente como prodigalidade. Temas que não interessam a ninguém excepto se forem falsos castos. Depois é o que se sabe, a história está cheia de exemplos...

É patente que confudem muitas vezes devassidão com libido!!! Como as Bolhas sabem não é de todo a mesma coisa... Pode muito bem ser-se libidinoso sem se ser devasso ou libertino, certo?!

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sexta-feira, julho 07, 2006

Minha querida amiga,
A frase do MST era para ser publicada no dia 10, para ti. Como diz o meu querido Pai, enquanto nos recordarmos dos que nos deixaram eles estão connosco para sempre. A falta fica sempre e as saudades nunca passam mas é óptimo recordar.
Deixo-te aqui umas palavras do Miguel Sousa Tavares sobre isso que, embora seja para mim 1000 vezes menos sábio que o meu Pai desenvolve melhor a ideia.
"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
Beijos

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sexta-feira, junho 23, 2006

Campo de Ourique o melhor bairro de Lisboa

Bom dia queridos todos (Bolhas, família, amigos, leitores e admiradores),

Como está uma sexta feira solarenga e já constatei que estamos numa Maré (altíssima e sem qualquer pudor) de plágio resolvi publicar parte de um texto de Miguel Sousa Tavares sobre o melhor bairro de Lisboa (da Europa e qui ça do universo), i.e., Campo de Ourique...

Bairro da nata Lisboeta, onde vivem as famílias mais tradicionais, todos se conhecem, recheado de prédios de boa traça bem conservados, cheio de comércio, restaurantes, árvores e onde ainda há eléctricos. Como é óbvio o Bairro de eleição do beautifull people.

Por razões óbvias, tenho umas saudades MONSTRAS de lá viver!

Boa sexta feira, de preferência em Campo de Ourique ou no Hyatt!

"Viva Campo de Ourique!
(...)
Um bairro para viver tem de começar assim: com um mercado que é uma festa para os sentidos, um regresso aos sabores e aos cheiros que nos educaram. Campo de Ourique começa assim e continua depois, com tudo aquilo que faz deste bairro quase um milagre de espaço urbano perfeito: ruas largas, onde se passeiam casais, carrinhos de crianças e empregados no intervalo do almoço; comércio tradicional e personalizado, com algumas lojas ainda conhecidas pelo nome dos donos - a florista, o cabeleireiro, a loja de comida feita, o electricista, o oculista, a loja de ferragens, a papelaria-tabacaria, a casa das fechaduras, a loja de surf; e os cafés, com esplanadas conquistadas ao passeio e ao Millenium-BCP, com os seus quiosques de jornais cujos donos nos conhecem já tão bem que os dias nem sequer começariam sem o bom-dia deles. Campo de Ourique tem tudo isso, mais o jardim central, os seus pequenos restaurantes de culto, os seus excêntricos ou loucos já familiares a todos. Outras coisas felizmente não tem e muito do prazer de andar nestas ruas deve-se a essas ausências: prédios em altura e de fachadas preconceituosas, porteiros e seguranças de prédios, polícias de trânsito a tentar tornar a vida impossível. Aqui funciona como que uma auto-regulação da via pública, com um sentido natural de comunidade, em que ninguém se mete com os outros e toda a autoridade se torna dispicienda graças ao respeito mútuo pela liberdade de cada um. O melhor exemplo deste espírito de liberdade e tolerância mútua que aqui presenciei é um exemplo muito politicamente incorrecto, ocorrido manhã cedo, no café onde sempre tomo o pequeno-almoço. Uma senhora, cliente habitual, pediu um café e acendeu um cigarro. Nessa altura, um sujeito que eu nunca ali tinha visto e nunca voltei a ver, empertigou-se todo e, rico de novos conhecimentos adquiridos, interpelou-a: "Minha senhora, o cheiro do seu cigarro está-me a incomodar!" E ela, sem sequer se voltar, soltou de lado, mas alto e bom som: "Olhe, também o seu cheiro me está a incomodar, mas eu não lhe ia dizer nada." E o intruso saiu, de rabo entre as pernas e perante os sorrisos cúmplices dos habituées (oh, eu sei, um bando de selvagens!).

Pensando na explosão de ódio e de revolta que agora se vive à roda das cidades francesas, naquelas comunidades inteiras de populações imigrantes que não se sentem ligadas cultural e afectivamente aos locais onde vivem, que vêem o bairro como uma prisão e a rua como um terreno de confronto, dou-me conta até que ponto Campo de Ourique (não sei se por gestação espontânea, se porque alguém planeou e previu bem as coisas) é um bairro modelar, em termos de integração social interclassista e intergeracional, de justo equilíbrio entre comércio, serviços e habitação, entre espaços públicos e privados. E, afinal, este tão raro exemplo de harmonia e qualidade de vida urbana não precisa de nenhuma grande construção de referência, nenhuma urbanização de encher o olho, nenhum centro comercial (antes pelo contrário, o segredo é não o ter), nenhuma piscina municipal nem pavilhão gimnodesportivo, nenhuma rotunda com canteiros e estátuas pseudomodernas, enfim, nada que encha o olho e que mostre dinheiros públicos ou fortunas privadas. Apenas bom senso, sentido de equilíbrio e proporção humana. Depois, as pessoas fazem o resto: andam na rua sem pressa nem atropelos, param para conversar à porta das lojas, saúdam-se nas esquinas, passeiam as crianças, os velhos ou os cães, namoram ou lêem o jornal nas esplanadas, almoçam a horas certas na sua mesa de sempre dos seus pequenos restaurantes, numa palavra, vivem a cidade, não se limitam a sofrê-la ou a passar por ela. Certamente que aqui também há gente triste, sozinha, com vidas terríveis. Mas, pelo menos, a rua não os agride: conforta-os, distrai-os e, acima de tudo, dá-lhes um sentido de pertença a uma comunidade - que hoje é coisa tão rara e tão preciosa numa cidade, como o são o peixe, a fruta e os legumes do mercado de Campo de Ourique.

Sei que este texto pode parecer um bocado absurdo, no meio desta eterna agitação em que vivemos. Mas trata-se de uma dívida de gratidão para com o "meu" bairro, que eu precisava de saldar um dia. E também, já agora e aproveitando a oportunidade, trata-se igualmente de um apelo que faço a quem manda e a quem pode: por favor, não estraguem Campo de Ourique! Não é preciso muito: basta não fazerem nada."

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terça-feira, junho 20, 2006


"O Isolamento do Momento é Indiferença"
Simone Weil, in 'A Gravidade e a Graça'

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sexta-feira, junho 02, 2006

Um momento de intelectualidade

Queridos Leitores,

Como já perceberam, nós as Bolhas até somos de certa forma umas Intelectuais mas esforçamo-nos imenso por ser fúteis mas, por vezes não somos lá muito bem conseguidas e deslizamos com o pé para o moma... Se não perceberam a subtileza não vou explicar, até porque para se ler este blog tem que se ter um certo poder de encaixe e uma cultura bastante acima da média. Por sermos umas intelectuais em vias de desenvolvimento, volta e meia aparecem por aqui poemas, frases, coisas que nos tocaram de certa forma!!! Momentos...

Amanhã é um dia muito importante para a Bolha Mestra pois é o último dia com 39 anos. Tenho a teoria que as pessoas devem viver intensamente o último dia dos anos... Com a chuva que está a Bolha Mestra deve passar o último dia dos 39 a remar intensamente por Macau... Queridinha isso até é bom pois o bye bye arm desaparece... Não que tenha qualquer coisa fora do sítio.

Mas dizia eu que a Bolha Mestra é só a melhor das amigas... Só não faz pelas amigas o que não puder! Tem um coração de ouro e apesar de andar sempre a correr arranja sempre tempo para dar a mão a quem precise. Tive mesmo sorte. Palavra de Bolha! Oxalá esteja à altura... Por isso, desta vez, vou dedicar um poema de Vinícius de Moraes à Bolha Mestra e a outras duas melhores das amigas... Uma porque precisa de um ombro e esta é maneira de lhe explicar que estou com ela para ouvir todos os seus pensamentos (mesmo que sejam absurdos) e a outra porque entre muitas qualidades tem o condão de saber perdoar. Se eu não tivesse a sorte de as encontrar tinha mesmo que as procurar!

"Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive."


Vinícius de Moraes

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segunda-feira, abril 24, 2006

Provérbio da década

Olé,
Como sabem sou ligeiramenteeeeeeeeeeeeeee exagerada por isso resolvi escolher oo provérbio de eleição para esta década... Anos 10? Como ainda estamos no ínico do século estaremos na década Zero? Dúvida super fútil, eu sei, mas muito legítima e actual, digam lá, meninas, em que década estamos?
Aqui fica o provébio que, diga-se de passagem é tal e qual o meu "xador", não digo que é a minha cara porque por acaso parece que o provérbio até é árabe...
"Que os que nos amam, continuem a amar-nos e que os não nos amam que Deus lhes mude a disposição ou então que lhes torça os tornozelos para que os reconheçamos quando coxearem."
Bolha que é Bolha, obviamente, não nota ninguém a coxear à sua volta. Mesmo os que julgam que odeiam bolhas estão redondamente e super equivocados , no seu íntimo nutrem por nós uma enorme admiração, só que não sabem...
Uma fantástica segunda feira!!!

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sexta-feira, março 10, 2006

Frase da manhã



Bom dia, djou san, good morning, bonjour!!!

Recebi esta frase por e mail e só vos digo que me escangalhei a rir!!! Bem sei que é em inglês mas como já disse num post anterior, para se ser Bolha é preciso dominar umas quantas línguas. Está aqui a minha assistente a dizer que não escrevi ainda sobre isso mas agora não interessa nada, aprofundo esse assunto em breve. Cale-se criatura! Em suma, se o leitor não domina das duas uma ou vai apender inglês ou então não vai pereceber nada mas fica contentinho na mesma, está bem?

Vejam só se não é mesmo uma graça Bolhas:

For all those men who say:
"Why buy the cow when you can get the milk for free?", here's an update for you.
Nowadays 80% of women are against marriage.
Why?
Because women realize it's not worth buying an entire pig, just to get a little sausage.

Alegra qualquer manhã de sexta feira... Adoro manhãs de sexta feira, aliás, adoro sextas feiras!!!

Até logo.

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quinta-feira, março 09, 2006

olá lá lá, c'est vrai, c'est tellement vrai !!

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